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21 de Setembro de 2017

Transgênicos contribuem para aumento do consumo de agrotóxicos no Brasil

Daniel Borgo
Publicado por Daniel Borgo
há 4 anos

O consumo dessas substâncias aumentou 190%, atingindo quase um milhão de toneladas na safra 2010/2011. No Brasil, a soja concentra 40% do volume total de venenos agrotóxicos.

O uso indiscriminado de agrotóxicos está diretamente associado ao aumento dos transgênicos no campo. A safra 2010/2011, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), teve um consumo somado de herbicidas, inseticidas e fungicidas, entre outros, de 936 mil toneladas, que movimentou 8,5 bilhões de dólares no país. Não à toa, o Brasil responde a 20% do consumo mundial total desses venenos.

Ainda segundo a Anvisa, órgão responsável por liberar tais produtos no país, o mercado brasileiro de agrotóxicos cresceu 190% nos últimos 10 anos, um ritmo muito mais acentuado do que o do mercado mundial, que foi de 93% no mesmo período.

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), já liberou cinco tipos de soja, 18 de milho, 12 de algodão e uma de feijão que, com exceção da nacional Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), utilizam tecnologia transgênica e defensivos agrícolas produzidos pelas seis grandes empresas transnacionais que também lideram o setor em nível global: Monsanto (Estados Unidos), Syngenta (Suíça), Dupont (EUA), Basf (Alemanha), Bayer (Alemanha) e Dow (EUA).

Relatório do Grupo ETC, organização socioambientalista internacional que atua no setor de biotecnologia e monitora o mercado de transgênicos, revelou em março deste ano que estas empresas, apelidadas de “Gene Giants” (Gigantes da Genética), controlam atualmente 59,8% do mercado mundial de sementes comerciais e 76,1% do mercado de agroquímicos, além de serem responsáveis por 76% de todo o investimento privado no setor.

No Brasil, a soja concentra 40% do volume total de venenos agrícolas, seguida pelo milho (15%) e pelo algodão (10%). Entre os alimentos mais com taxas mais elevadas de veneno estão a cana de açúcar, o tomate, a uva, a alface e o pepino.

Relatório do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), da Anvisa, apontou índices elevados de agrotóxicos em seis alimentos no Espírito Santo: pepino, alface, arroz, tomate, uva e abacaxi, referentes aos anos de 2011 e 2012. Ao todo, no Estado, a Anvisa analisou 67 amostras de alimentos em 2011, das quais 22 foram consideradas insatisfatórias. Em 2012, foram 77 amostras coletadas de alimentos – diversos e não necessariamente os mesmos do ano anterior –, dos quais 18 amostras foram consideradas insatisfatórias.

Em âmbito nacional, no mesmo relatório, foi registrado o uso de aldicarbe em uma amostra de arroz. O aldicarbe é o ingrediente ativo de maior toxicidade aguda dentre todos os agrotóxicos de uso agrícola e muito conhecido por ser usado como raticida ilegal, o popular “chumbinho”. Em amostras de uva, foram registrados os ingredientes ativos tebufempirade e azaconazol, que nunca foram registrados no país. Por isso, o seu uso sugeriu a ocorrência de contrabando. No ano de 2012, todos os resultados insatisfatórios das amostras de alimentos, caso da cenoura e do arroz, por exemplo, foram devido à presença de agrotóxicos não autorizados para estas culturas.

Segundo a Anvisa, atualmente 130 empresas atuam no setor de agrotóxicos e, destas, 96 estão instaladas no país. Mas só as dez maiores empresas do setor foram responsáveis por 75% das vendas de agrotóxicos na última safra, dividindo o mercado brasileiro entre si conforme a demanda do produto.

Monsanto

Entre as razões que justificaram o "Ajuntamento Mundial Contra a Monsanto e em Favor das Sementes Desobedientes", em outubro, estão as descobertas científicas recentes de que os Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) da Monsanto podem fazer com que os consumidores desenvolvam problemas graves de saúde, como tumores cancerígenos, infertilidade e anomalias congênitas, além de serem prejudiciais para o meio ambiente. Dossiê da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) relaciona os ingredientes ativos utilizados nos agrotóxicos no Brasil aos riscos à saúde humana e afirma que seu uso intensivo pode causar “doenças como cânceres, má-formação congênita, distúrbios endócrinos, neurológicos e mentais”.

A Monsanto tem, em sua história, o março da fabricação do agente laranja, poderoso veneno usado como desfolhante pelos militares americanos durante a Guerra do Vietnã. O herbicida causou anomalias genéticas, diversos tipos de cânceres, abortos e irritações cutâneas às pessoas que a ele foram expostas. Em 1997, a multinacional foi refundada como empresa agrícola, produtora de sementes - como as de milho e algodão supostamente resistentes a pragas lançadas nos anos 1990 - e demais produtos desse setor.

Em todo o mundo, a versão de que as sementes geneticamente modificadas são realmente resistentes a pragas, e por isso não precisam de agrotóxicos, é amplamente contestada. Há relatos de que se precisa de cada vez mais herbicidas para manter as lavouras desses produtos. Os transgênicos da Monsanto são resistentes aos agrotóxicos da própria marca como, por exemplo, o Roundup, que mata todas as plantas do local onde é aplicado - exceto os transgênicos da Monsanto, preparados para serem especificamente resistentes a ele.

A Monsanto também é acusada de biopirataria, de contrabando de sementes, de manipulação de dados científicos, além de ser responsável pelo suicídio de agricultores indianos, endividados devido aos altos custos das sementes transgênicas e dos insumos químicos necessários a essas plantações. A cada plantio, os agricultores têm que comprar mais sementes porque, devido à patente obtida pela multinacional, cada semente só pode ser usada em um plantio – o que os impede de guardar uma parte da colheita para o próximo ano, como é feito na agricultura tradicional.

Fonte: EcoAgência

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